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Por volta do século V, surgiu na Bretanha uma das heresias subsistentes na Igreja Católica até hoje: o pelagianismo. Pelágiovia na vontade humana o caminho para se produzir uma vida virtuosa e de boas obras, desprezando supremacia da graça de Deus. Assim, acreditava que o indivíduo poderia alcançar a salvação por seus próprios méritos, já que, para ele, Jesus teria sido apenas um exemplo a se seguir, deixando implícito um interesse unicamente em si mesmo, não em Jesus Cristo ou no próximo.

Santo Agostinho rejeitou essa corrente de pensamento ao descrever que por trás de qualquer ato humano digno de virtude há sempre a iniciativa proveniente da graça divina, pois “Deus nos amou primeiro” (1Jo 4,19), e fomos justificados pela graça, não por nossas obras (Rm 3,24).

É curioso observar como essa mentalidade ainda estáenraizada na humanidade. São visíveis os frutos que o pelagianismo deixou: uma sociedade meritocrática; o predomínio do individualismo e do elitismo; e a valorização de práticas voltadas à autoestima, evidenciando a superioridade do eu. Contudo, também o meio católico foi influenciado por essa concepção. Por isso, Papa Francisco, em duas de suas exortações apostólicas, alertou os cristãos sobre as manifestações do neopelagianismo instaladas na Igreja, mencionando: “a obsessão pela lei, o fascínio de exibir conquistas sociais e políticas, a ostentação do cuidado da liturgia, da doutrina e do prestígio da Igreja, a vanglória ligada à gestão de assuntos práticos, a atração pelas dinâmicas de autoajuda e realização autorreferencial”.

Portanto, o ser humano deve se manter sempre humilde, reconhecendo ação da graça suficiente concedida por Deus para cada passo dado em direção à santidade.

Sugestões de leitura:

Exortação Apostólica do Santo Padre Gaudete et Exultate sobre o chamado à santidade no mundo atual, Francisco Exortação Apostólica do Sumo PontíficieEvangeliiGaudium sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual, Francisco

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