Formação aberta à vida na Igreja e para a Igreja – Uma entrega Fiel, Total, Livre e Fecunda

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A formação pode ser comparada dentro do nosso movimento com a missão do homem e a mulher dentro do matrimônio. Ambos casam-se e prometem no altar amar-se, respeitar-se, todos os dias da vida. Prometem aceitar os filhos que o Senhor os der, educá-los na lei da Igreja.

8. O matrimônio não é, portanto, fruto do acaso, ou produto de forças naturais inconscientes: é uma instituição sapiente do Criador, para realizar na humanidade o seu desígnio de amor. Mediante a doação pessoal recíproca, que lhes é própria e exclusiva, os esposos tendem para a comunhão dos seus seres, em vista de um aperfeiçoamento mútuo pessoal, para colaborarem com Deus na geração e educação de novas vidas. (Humanae Vitae).

Ao fazer essa promessa assumem 1. O gravíssimo dever de transmitir a vida humana, pelo qual os esposos são os colaboradores livres e responsáveis de Deus Criador, foi sempre para eles fonte de grandes alegrias, se bem que, algumas vezes, acompanhadas de não poucas dificuldades e angústias. (Humanae Vitae).

O formador que assume a condição de ser um guardador e fiel depositário da identidade, também é responsável por transmitir com fidelidade, de maneira inalterada aquilo que recebeu como verdade, sem confusão e ou ambiguidades. Seu chamado é essencialmente espiritual, o que obriga que se empenhe em vivê-lo com tal, na busca da santidade, da vida no Espírito, na formação permanente, na busca da unidade e fidelidade ao ensino.

Muitos têm a ideia de que a formação “engaiola” ou “engessa” o Espírito Santo, mas pelo contrário, a formação é como um “ninho”, ela é lugar de segurança, de aprendizado, de crescimento, ela vai dar a base que precisamos para exercer com mais eficácia ainda a nossa missão. A palavra ninho deriva do latim nidare, que quer dizer aninhar-se.

Voltando a nossa linha de comparação com a geração de vida dentro do matrimônio, tomemos a fisiologia do corpo da mulher, que a cada mês passa por um processo de preparação para gerar uma nova vida. Quando através de um ato conjugal, um espermatozoide consegue adentrar no interior da mulher no seu período fértil, acontece a fecundação. Uma mudança extraordinária, antes incompletos, agora unidos, fecundados, recebem uma alma. Recordamos aqui Isaías 49,1b, “ainda no seio de minha mãe, ele pronunciou meu nome”. Após fecundada esta nova vida caminha das trompas até o útero, onde vai acontecer o processo de nidação,  implantação na parede uterina. Agora unido à mãe, esta vida passa a se alimentar, respirar e crescer até chegar o momento do nascimento.

E após o nascimento, como a vida pode ser gerada mais uma vez? Lembramos da passagem onde Nicodemos pergunta ao Senhor “Como pode um homem renascer, sendo velho? Porventura pode tornar a entrar no seio de sua mãe e nascer pela segunda vez?”. 5.Respondeu Jesus: “Em verdade, em verdade te digo: quem não renascer da água e do Espírito não poderá entrar no Reino de Deus.” (Jo 3,4-5).

No final do livro de Patti Mansfield (Como em um novo Pentecostes), ela aborda uma definição de batismo no Espírito Santo e traz citações do livro do ICCRS, Batismo no Espírito Santo é uma experiencia de mudança de vida pelo amor de Deus, o Pai, derramado em nosso coração pelo Espírito Santo e recebido através de uma entrega ao Senhorio de Jesus Cristo. Revive o Batismo e o Crisma sacramentais, aprofunda a nossa comunhão com Deus e com os irmãos em Cristo, acende o fervor evangelístico e equipa com carismas para o serviço e a missão.

Também nosso atual presidente do Conselho Nacional Vinícius Simões, nos fala a respeito deste tema no seu livro (Eu te constituí sentinela na casa de Israel), segundo ele o eixo central da identidade da RCC é o batismo no Espírito Santo e suas consequências. Precisamos desejar, pedir e nos abrir a essa experiência fundamental do Amor de Deus que nos envolve e nos preenche de maneira irresistível e mesmo inexprimível. Contudo, embora seja a experiência fundante da identidade da RCC, o batismo no Espírito Santo é a experiência que deve nos introduzir em algo mais amplo, isto é, na vida no Espírito, para a qual devem tender todos os homens. Neste sentido, a identidade da RCC não se esgota no batismo no EspíritoSanto, mas numa coerente vida segundo o Espírito.

Ora, se a fecundação é o evento que marca o início de uma nova vida, o Batismo no Espírito Santo é o evento que marca o início da vida nova. tanto um como o outro não teriam sentido de acontecer se parassem por aí, se após esses fantásticos episódios, não pudessem prosseguir num crescimento contínuo.

Como já mencionado, após a nidação, a vida gerada no ventre passa nove meses sendo gerado, ela necessita deste tempo, do contrário, pode acorrer um aborto ou um nascimento prematuro, que vai incorrer em cuidados ainda mais intensos. Um bebê prematuro vai demorar mais tempo para desenvolver-se, vai ganhar peso com mais dificuldades, muitos sobrevivem, mas é bem verdade que também muitos não resistem e voltam para o Senhor. Assim também acontece com uma pessoa recém batizada no Espírito Santo, ela necessita de um tempo para ser gerada, alimentada com formação, do contrário, quando sem a formação básica necessária a pessoa é lançada para formações específicas de ministérios, ou ainda começa a servir em um determinado ministério sem formação nenhuma. Essa pessoa corre o risco de não resistir (aborto) ou então com muitos cuidados por vezes cansativos que
poderiam ser evitados, a pessoa vai seguindo no movimento, gerando conflitos, até entender que apenas lhe faltou o tempo de ser gestada, cuidada, sem se preocupar com ir além das suas forças.

Na vida conjugal muitos não sabem mais qual a sua verdadeira missão. Viver o que o Papa São Paulo VI nos apresenta como modelo ideal de amor: Fiel, Total, livre e fecundo.

Para resgatar a identidade da RCC temos que entender a missão. Poderemos fazer uma comparação abordando então estes quatro pontos?

Formação Fiel: se faz urgente e necessário que todos entendam que se não formos fiéis ao movimento, à doutrina, magistério e a palavra de Deus estaremos traindo o Senhor.

Formação Total: A formação não pode entender-se apenas formadora em série de novos servos, não produzimos em escala. Precisamos abordar uma formação total do homem para a vida eterna.

Formação Livre: a formação precisa acontecer livremente, não pode ser imposição, lei, se faz necessário que as duas partes formadores e formandos estejam ali por inteiro, sem reservas.

Formação Fecunda: dar frutos, gerar vida, a formação precisa ser fecunda, sem interesses, sem inveja, sem pedir nada em troca. Precisamos gerar vida no movimento, na igreja e para a igreja.

A formação dentro do RCC nem sempre é entendida como ninho, como o período de gestação de uma nova vida fortalecida. Assim também aconteceu como a encíclica Humanae Vitae de São Paulo IV , que trata da abertura à vida humana. Ele profetizou: 18. É de prever que estes ensinamentos não serão, talvez, acolhidos por todos facilmente: são muitas as vozes, amplificadas pelos meios modernos de propaganda, que estão em contraste com a da Igreja. A bem dizer a verdade, esta não se surpreende de ser, à semelhança do seu divino fundador, “objeto de contradição”; [22] mas, nem por isso ela deixa de proclamar, com humilde firmeza, a lei moral toda, tanto a natural como a evangélica.

Sejamos Renovação Carismática Católica, vivamos como em Pentecostes, assim como os discípulos que ao serem fecundados pelos Espírito Santo saíram e multiplicaram os cristãos, assim também como os jovens no final de semana em Duquesne, que após viverem o sobrenatural em suas vidas, a mais de cinquenta anos são extremamente fecundos.

 

 

Cristiane Schmitz Voges

Coordenadora Estadual do Ministério de Formação.

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